Protestos de 15 de Março

A nossa vida se passa em dois ambientes, online e offline. Isso não é mais uma discussão filosófica ou uma discussão sobre os tempos que vivemos, é um fato corriqueiro.

Naturalmente, geram-se principalmente em redes sociais algumas “ondas”, memes e movimentos. Alguns são sempre online e ficam isolados no ambiente virtual, tornando-se inacessíveis para quem não está online. Outros por sua vez “materializam-se” no ambiente offline.

Essa migração está acontecendo agora com as manifestações e insatisfações políticas. De forma virtual, pessoas se organizaram e fizeram manifestações em todo o país no dia 15 de Março. Uma ação que vai do online para o offline, com grupos pulverizados e sem organização central, mas com o mesmo objetivo.

É curioso ver como isso não é uma ação isolada, mas um fenômeno natural humano. Não faz muito tempo que isso aconteceu nos países do Oriente Médio e Norte da África, a Primavera Árabe, insatisfações que começaram online se manifestaram nas ruas e por lá até derrubaram ditadores há décadas no poder. Tudo como consequência de uma postagem, de um clique do mouse, da ação de um insatisfeito. Mesmo com a medida dos governos de tentar parar a Primavera Árabe bloqueando acesso as redes sociais, a população ainda conseguiu se organizar online por outros métodos, provando que a vontade de mobilização é maior que as barreiras impostas.

Essa onda iniciada nas ruas no dia 15 de março é o maior exemplo disso, uma insatisfação vira postagem, que gera compartilhamentos, que gera um evento, com mais compartilhamentos e finalmente pula do virtual para o real. Hoje, um dia depois das manifestações o movimento volta para os meios online, com fotos, postagens, elogios e críticas.

Mas com esse retorno ele deixa de ser algo exclusivamente online e passa a ser um evento e uma vontade real e virtual.

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